21/07/2008

Algum lugar a 189 km de São Paulo, tarde de sábado

Calor dos diabos, tanto mais estando engravatado. Por isso, ali no boteco dispensei o café e fiquei parado no balcão bebericando água mineral gelada. Estava ali abrigado da inclemente luz do sol, que ao iluminar a fachada da igreja ressaltava a escuridão do interior.

Devo ter demorado a notá-la. Estava acompanhada de outra mulher e de um moleque de seus cinco anos. Talvez bonita, deveria ter dezoito ou vinte anos. Cabelos longos, corpo jeitoso e pele queimada do sol. Conversava animadamente com a outra e vez por outra se virava para monitorar os folguedos da criança pela praça.

Ao se postar de perfil, despertou ainda mais a minha atenção. A bermuda justa, de lycra, evidenciava notável hiperlordose lombar. A mulher, ainda que tivesse todos os volumes nos lugares e proporções certos, assim assumia silhueta quase caricatural. Eu, com olhos de cobiça e curiosidade, acompanhava seus movimentos com atenção: frente a outra, vez por outra girava a cabeça e o corpo, olhava para o guri e continuava a prosear.

Dada minha falta de discrição, estivesse eu mais perto e ela teria notado meu maldisfarçado interesse. Admirado, procurava em seu rosto sinais que denotassem de alguma forma o esforço físico que ela deveria estar fazendo para empinar a bunda daquele jeito tão vulgar quanto sensual.

Virei-me para o balcão e dei o último gole em minha água. Quando com os olhos novamente busquei-a, ela estava andando na direção da igreja, a criança um pouco à frente e a outra mulher ao seu lado. Notei seus passos claudicantes; mancava bastante, o que dava a seu rebolado uma perversa conotação erótica.

Ainda surpreso com a deficiência física da moça, observei-a contornar o jardim da igreja e se afastar pela calçada, seu passo trôpego e lento, agora de costas para mim. Nem notei que havia sido flagrado pelo balconista, que saiu de trás do balcão e uniu-se a mim na atividade de observação e devaneio.

Sem despregar os olhos da moça, me disse o nome dela. Falou ainda que ela morava ali perto. Assim como que conta um segredo, murmurou: “aleijada de tão gostosa”. Balancei a cabeça em acordo, conferi o relógio e resolvi pedir uma cerveja, pois ainda haveria muito tempo até a hora do casório.

1 comentários:

Malvada disse...

fiquei sabendo que agora a moda nao é mais lipo e sim ter hiperlordose.
nao estou brincando.