Assim que acabou de almoçar, Douglas pediu licença aos outros e foi até a varanda para fumar. Ali encontrou Carlinhos, cigarro aceso entre os dedos, que logo ofereceu fogo.
Ficaram ali recostados na grade, mais preocupados em soprar a fumaça para dentro e para fora dos pulmões que em falar. Só depois do cigarro engataram conversa. A princípio, falaram sobre amenidades, depois sobre o trabalho.
"Essa semana está sendo dura", Carlinhos reclamou.
"Verdade. Fazia tempo que eu não trabalhava tanto."
"Nem eu."
Antes de perguntar, Douglas baixou o tom de voz. "O que você está achando do novo diretor?"
"Não sei, não... Não senti firmeza. Acho que falta pulso pra ele."
"Também achei ele meio mole. Vamos ver no que isso vai dar... Mas olha, não estou muito animado."
"Ei!Anime-se", pediu Carlinhos. "Hoje é sexta e teremos o fim de semana sem nada pra fazer."
"Pois é, exatamente: nada pra fazer no fim de semana."
"Olha... Sabe o que eu estava pensando? Viu essas mulheres que apareceram agora?"
"Vi, sim. Gostei daquela Valéria."
"A Valéria é gente boa. Eu já tinha trabalhado com ela." Carlinhos fez uma pausa, antes de prosseguir. "Mas então, sabe o que pensei? Eu estou a fim de juntar uma turminha e fazer uma festinha no sítio."
"Sábado e domingo?"
"Sábado e domingo."
"Ah, ah." Douglas riu, antes de concluir sarcástico. “Uma suruba?”
"Isso. Uma suruba básica. Afinal, a vida não é só trabalho. É preciso relaxar um pouco também. É preciso saber aproveitar!"
"Mas você acha que as meninas topam?"
Carlinhos exalava confiança. "Ah, topam. Deixa comigo."
"Então, estou dentro!"
"Eu falo com elas depois que acabarmos aqui. E vou chamar também o Aílton, tudo bem?"
"Sem problemas, o cara é ponta firme."
Douglas já estava acendendo o segundo cigarro quando foi interrompido pelo diretor. "Seguinte. Eu sei que você vai odiar o que eu vou dizer, mas vamos ter que repetir aquela cena da Valéria. Você acha que consegue gozar de novo? Desta vez, queria que fosse na cara dela."
Coçando a cabeça, Douglas reclamou. "Já gozei três vezes hoje, achei que de tarde bastaria ficar ereto."
"Faz uma forcinha", pediu o diretor, dando tapinhas nas costas de Douglas.
Lá foi Douglas para o trabalho, meio contrariado, contando os minutos para um fim de semana onde havia a perspectiva de muito sexo selvagem. Teria antes, porém, que terminar a filmagem e esquecer um pouco do trabalho - o que não seria difícil, pois era o tipo do cara que nunca leva para casa os problemas da labuta.
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