21/04/2010
17/04/2010
Santos: o ápice do apocalipse
Acabaram com Santos. Não com o time de futebol, mas sim com a cidade. E nem faz tento tempoo assim: foi na administração de Beto Mansur (1997-2004), hoje deputado federal pelo PPS.
Mansur e a Câmara dos Vereadores alteraram o plano diretor do município, liberando as novas contruções para alturas inimagináveis - tanto mais porque o solo de Santos é dos piores do mundo, o que explica os prédios antigos tortos na praia e as fundações nas novas edificações ultrapassarem a marca dos 50 metros de profundidade para as fundações.
O resultado das nefastas mudanças já era visível há um bom tempo a partir do mirante do Monte Serrat: por cima da muralha de prédios de 10 pavimentos nos bairros ou 20 na orla, despontavam aqui e ali intrusos de 30 andares.
Uma simples passeio pela cidade mostra que o caldo entornou de vez e que o futuro é negro: o trânsito nunca esteve pior, uma área até agora tranquila do Marapé tem o canteiro de obras de um emprrendimento com 1.600 apartamentos e a área da Ponta da Praia mais próxima ao ferry-boat ostenta várias torres altíssimas em construção.
Na edição de hoje de A Tribuna, o ápice do apocalipse: um prédio de 39 andares na Pompéia, em movimentada avenida de mão única próxima à praia do José Menino. E desta forma se desenha o futuro da cidade: a circulação de ar cada vez mais comprometida, o trânsito cada vez mais pior, mais e mais gente ocupando um espaço urbano exíguo.
Mansur e a Câmara dos Vereadores alteraram o plano diretor do município, liberando as novas contruções para alturas inimagináveis - tanto mais porque o solo de Santos é dos piores do mundo, o que explica os prédios antigos tortos na praia e as fundações nas novas edificações ultrapassarem a marca dos 50 metros de profundidade para as fundações.
O resultado das nefastas mudanças já era visível há um bom tempo a partir do mirante do Monte Serrat: por cima da muralha de prédios de 10 pavimentos nos bairros ou 20 na orla, despontavam aqui e ali intrusos de 30 andares.
Uma simples passeio pela cidade mostra que o caldo entornou de vez e que o futuro é negro: o trânsito nunca esteve pior, uma área até agora tranquila do Marapé tem o canteiro de obras de um emprrendimento com 1.600 apartamentos e a área da Ponta da Praia mais próxima ao ferry-boat ostenta várias torres altíssimas em construção.
Na edição de hoje de A Tribuna, o ápice do apocalipse: um prédio de 39 andares na Pompéia, em movimentada avenida de mão única próxima à praia do José Menino. E desta forma se desenha o futuro da cidade: a circulação de ar cada vez mais comprometida, o trânsito cada vez mais pior, mais e mais gente ocupando um espaço urbano exíguo.
02/04/2010
Leilane, 66 quilos
Casara-se magra e, salvo engano nas contas, já havia engordado oito quilos. A silhueta evidenciava essa mudança; em toda a vida jamais tivera tanta carne. Todavia, ainda seria injusto classificá-la como gorda, tanto por um exame visual quanto pelo índice de massa corpórea. Encontrava-se ela no tênue limiar feminino onde se confundem abundância de predicados físicos e números indecentes na balança.
Por alguns segundos, todo esse questionamento passou pela cabeça de Leilane. Sozinha em casa, pulou da cama após um filme da Sessão da Tarde e por mero acaso se olhou no espelho - quase inteiramente nua, apenas uma pequena calcinha preta a lhe esconder a intimidade. Havia se posto em pé com o propósito de buscar uma colher das grandes e o pote de sorvete que ainda lacrado estava no congelador.
Com o pote e a colher na mão, olhou-se novamente no espelho do quarto. Inexorável conclusão: três colheradas da iguaria e deixaria de ser gostosa para enfim tornar-se gorda. Hesitou por um instante; por fim, deu um berro de "foda-se" e feliz da vida foi tomar sorvete em frente ao televisor.
Por alguns segundos, todo esse questionamento passou pela cabeça de Leilane. Sozinha em casa, pulou da cama após um filme da Sessão da Tarde e por mero acaso se olhou no espelho - quase inteiramente nua, apenas uma pequena calcinha preta a lhe esconder a intimidade. Havia se posto em pé com o propósito de buscar uma colher das grandes e o pote de sorvete que ainda lacrado estava no congelador.
Com o pote e a colher na mão, olhou-se novamente no espelho do quarto. Inexorável conclusão: três colheradas da iguaria e deixaria de ser gostosa para enfim tornar-se gorda. Hesitou por um instante; por fim, deu um berro de "foda-se" e feliz da vida foi tomar sorvete em frente ao televisor.
01/04/2010
22/08/2008
Desajustados
Enchemos a cara de vodca. Começamos então a brincar: coisa séria essa de dizer verdades brincando.
"Se você é tão engraçado, por que está sozinho hoje?"
"Se você é tão bonita, por que está sozinha hoje?"
"Se você é tão inteligente, por que está sozinho esta noite?"
"Se você é tão gostosa, por que está sozinha esta noite?"
"Se você é tão bem sucedido, por que está sozinho todas as noites?"
"Se você é tão atraente, por que você dorme sozinha todas as noites?"
"Eu sei", disse ela. "É porque esta noite é apenas mais uma... Mais uma noite igual às outras."
Foi então que nos beijamos. Miseravelmente, a tudo compreendíamos, mas nos faltava a química. Por isso, logo flagramos nos olhos de um e de outro as lágrimas, o desespero, a miséria tão humana de ser sozinho em um mundo onde todos dormem nos braços uns dos outros sem qualquer pudor.
"Se você é tão engraçado, por que está sozinho hoje?"
"Se você é tão bonita, por que está sozinha hoje?"
"Se você é tão inteligente, por que está sozinho esta noite?"
"Se você é tão gostosa, por que está sozinha esta noite?"
"Se você é tão bem sucedido, por que está sozinho todas as noites?"
"Se você é tão atraente, por que você dorme sozinha todas as noites?"
"Eu sei", disse ela. "É porque esta noite é apenas mais uma... Mais uma noite igual às outras."
Foi então que nos beijamos. Miseravelmente, a tudo compreendíamos, mas nos faltava a química. Por isso, logo flagramos nos olhos de um e de outro as lágrimas, o desespero, a miséria tão humana de ser sozinho em um mundo onde todos dormem nos braços uns dos outros sem qualquer pudor.
19/08/2008
Otacílio Miranda, o adjetivador
Entre amigos, com uma singela frase o escritor Otacílio Miranda tornou-se "o adjetivador":
"Marly era uma mulher vagabundamente gostosa."
Convenhamos: uma abertura e tanto para o primeiro capítulo de seu livro de estréia.
"Marly era uma mulher vagabundamente gostosa."
Convenhamos: uma abertura e tanto para o primeiro capítulo de seu livro de estréia.
11/08/2008
Starway to heaven
Ela era do tipo que se excitava ao andar em escadas rolantes. Jogava o cabelo por cima do ombro, agilmente desencaixava a sandalinha do pé e com a sola tocava o frio metal do chão, os olhos semicerrados em silencioso êxtase. Entre o primeiro e segundo andares, flagrada foi um dia por um rapaz engravatado, olhar lascivo sobre o pezinho de unhas muito vermelhas fincado no piso sujo. Enrubesceu no ato, o sentimento súbito de desnudamento; logo pensou em retornar ao outro pavimento, buscar o tal rapaz e murmurar-lhe ao pé do ouvido sacanagens mil, mas desistiu do intento ao reparar que já estava atrasada para voltar ao trabalho.
07/08/2008
Trabalho duro
Assim que acabou de almoçar, Douglas pediu licença aos outros e foi até a varanda para fumar. Ali encontrou Carlinhos, cigarro aceso entre os dedos, que logo ofereceu fogo.
Ficaram ali recostados na grade, mais preocupados em soprar a fumaça para dentro e para fora dos pulmões que em falar. Só depois do cigarro engataram conversa. A princípio, falaram sobre amenidades, depois sobre o trabalho.
"Essa semana está sendo dura", Carlinhos reclamou.
"Verdade. Fazia tempo que eu não trabalhava tanto."
"Nem eu."
Antes de perguntar, Douglas baixou o tom de voz. "O que você está achando do novo diretor?"
"Não sei, não... Não senti firmeza. Acho que falta pulso pra ele."
"Também achei ele meio mole. Vamos ver no que isso vai dar... Mas olha, não estou muito animado."
"Ei!Anime-se", pediu Carlinhos. "Hoje é sexta e teremos o fim de semana sem nada pra fazer."
"Pois é, exatamente: nada pra fazer no fim de semana."
"Olha... Sabe o que eu estava pensando? Viu essas mulheres que apareceram agora?"
"Vi, sim. Gostei daquela Valéria."
"A Valéria é gente boa. Eu já tinha trabalhado com ela." Carlinhos fez uma pausa, antes de prosseguir. "Mas então, sabe o que pensei? Eu estou a fim de juntar uma turminha e fazer uma festinha no sítio."
"Sábado e domingo?"
"Sábado e domingo."
"Ah, ah." Douglas riu, antes de concluir sarcástico. “Uma suruba?”
"Isso. Uma suruba básica. Afinal, a vida não é só trabalho. É preciso relaxar um pouco também. É preciso saber aproveitar!"
"Mas você acha que as meninas topam?"
Carlinhos exalava confiança. "Ah, topam. Deixa comigo."
"Então, estou dentro!"
"Eu falo com elas depois que acabarmos aqui. E vou chamar também o Aílton, tudo bem?"
"Sem problemas, o cara é ponta firme."
Douglas já estava acendendo o segundo cigarro quando foi interrompido pelo diretor. "Seguinte. Eu sei que você vai odiar o que eu vou dizer, mas vamos ter que repetir aquela cena da Valéria. Você acha que consegue gozar de novo? Desta vez, queria que fosse na cara dela."
Coçando a cabeça, Douglas reclamou. "Já gozei três vezes hoje, achei que de tarde bastaria ficar ereto."
"Faz uma forcinha", pediu o diretor, dando tapinhas nas costas de Douglas.
Lá foi Douglas para o trabalho, meio contrariado, contando os minutos para um fim de semana onde havia a perspectiva de muito sexo selvagem. Teria antes, porém, que terminar a filmagem e esquecer um pouco do trabalho - o que não seria difícil, pois era o tipo do cara que nunca leva para casa os problemas da labuta.
Ficaram ali recostados na grade, mais preocupados em soprar a fumaça para dentro e para fora dos pulmões que em falar. Só depois do cigarro engataram conversa. A princípio, falaram sobre amenidades, depois sobre o trabalho.
"Essa semana está sendo dura", Carlinhos reclamou.
"Verdade. Fazia tempo que eu não trabalhava tanto."
"Nem eu."
Antes de perguntar, Douglas baixou o tom de voz. "O que você está achando do novo diretor?"
"Não sei, não... Não senti firmeza. Acho que falta pulso pra ele."
"Também achei ele meio mole. Vamos ver no que isso vai dar... Mas olha, não estou muito animado."
"Ei!Anime-se", pediu Carlinhos. "Hoje é sexta e teremos o fim de semana sem nada pra fazer."
"Pois é, exatamente: nada pra fazer no fim de semana."
"Olha... Sabe o que eu estava pensando? Viu essas mulheres que apareceram agora?"
"Vi, sim. Gostei daquela Valéria."
"A Valéria é gente boa. Eu já tinha trabalhado com ela." Carlinhos fez uma pausa, antes de prosseguir. "Mas então, sabe o que pensei? Eu estou a fim de juntar uma turminha e fazer uma festinha no sítio."
"Sábado e domingo?"
"Sábado e domingo."
"Ah, ah." Douglas riu, antes de concluir sarcástico. “Uma suruba?”
"Isso. Uma suruba básica. Afinal, a vida não é só trabalho. É preciso relaxar um pouco também. É preciso saber aproveitar!"
"Mas você acha que as meninas topam?"
Carlinhos exalava confiança. "Ah, topam. Deixa comigo."
"Então, estou dentro!"
"Eu falo com elas depois que acabarmos aqui. E vou chamar também o Aílton, tudo bem?"
"Sem problemas, o cara é ponta firme."
Douglas já estava acendendo o segundo cigarro quando foi interrompido pelo diretor. "Seguinte. Eu sei que você vai odiar o que eu vou dizer, mas vamos ter que repetir aquela cena da Valéria. Você acha que consegue gozar de novo? Desta vez, queria que fosse na cara dela."
Coçando a cabeça, Douglas reclamou. "Já gozei três vezes hoje, achei que de tarde bastaria ficar ereto."
"Faz uma forcinha", pediu o diretor, dando tapinhas nas costas de Douglas.
Lá foi Douglas para o trabalho, meio contrariado, contando os minutos para um fim de semana onde havia a perspectiva de muito sexo selvagem. Teria antes, porém, que terminar a filmagem e esquecer um pouco do trabalho - o que não seria difícil, pois era o tipo do cara que nunca leva para casa os problemas da labuta.
21/07/2008
Algum lugar a 189 km de São Paulo, tarde de sábado
Calor dos diabos, tanto mais estando engravatado. Por isso, ali no boteco dispensei o café e fiquei parado no balcão bebericando água mineral gelada. Estava ali abrigado da inclemente luz do sol, que ao iluminar a fachada da igreja ressaltava a escuridão do interior.
Devo ter demorado a notá-la. Estava acompanhada de outra mulher e de um moleque de seus cinco anos. Talvez bonita, deveria ter dezoito ou vinte anos. Cabelos longos, corpo jeitoso e pele queimada do sol. Conversava animadamente com a outra e vez por outra se virava para monitorar os folguedos da criança pela praça.
Ao se postar de perfil, despertou ainda mais a minha atenção. A bermuda justa, de lycra, evidenciava notável hiperlordose lombar. A mulher, ainda que tivesse todos os volumes nos lugares e proporções certos, assim assumia silhueta quase caricatural. Eu, com olhos de cobiça e curiosidade, acompanhava seus movimentos com atenção: frente a outra, vez por outra girava a cabeça e o corpo, olhava para o guri e continuava a prosear.
Dada minha falta de discrição, estivesse eu mais perto e ela teria notado meu maldisfarçado interesse. Admirado, procurava em seu rosto sinais que denotassem de alguma forma o esforço físico que ela deveria estar fazendo para empinar a bunda daquele jeito tão vulgar quanto sensual.
Virei-me para o balcão e dei o último gole em minha água. Quando com os olhos novamente busquei-a, ela estava andando na direção da igreja, a criança um pouco à frente e a outra mulher ao seu lado. Notei seus passos claudicantes; mancava bastante, o que dava a seu rebolado uma perversa conotação erótica.
Ainda surpreso com a deficiência física da moça, observei-a contornar o jardim da igreja e se afastar pela calçada, seu passo trôpego e lento, agora de costas para mim. Nem notei que havia sido flagrado pelo balconista, que saiu de trás do balcão e uniu-se a mim na atividade de observação e devaneio.
Sem despregar os olhos da moça, me disse o nome dela. Falou ainda que ela morava ali perto. Assim como que conta um segredo, murmurou: “aleijada de tão gostosa”. Balancei a cabeça em acordo, conferi o relógio e resolvi pedir uma cerveja, pois ainda haveria muito tempo até a hora do casório.
Devo ter demorado a notá-la. Estava acompanhada de outra mulher e de um moleque de seus cinco anos. Talvez bonita, deveria ter dezoito ou vinte anos. Cabelos longos, corpo jeitoso e pele queimada do sol. Conversava animadamente com a outra e vez por outra se virava para monitorar os folguedos da criança pela praça.
Ao se postar de perfil, despertou ainda mais a minha atenção. A bermuda justa, de lycra, evidenciava notável hiperlordose lombar. A mulher, ainda que tivesse todos os volumes nos lugares e proporções certos, assim assumia silhueta quase caricatural. Eu, com olhos de cobiça e curiosidade, acompanhava seus movimentos com atenção: frente a outra, vez por outra girava a cabeça e o corpo, olhava para o guri e continuava a prosear.
Dada minha falta de discrição, estivesse eu mais perto e ela teria notado meu maldisfarçado interesse. Admirado, procurava em seu rosto sinais que denotassem de alguma forma o esforço físico que ela deveria estar fazendo para empinar a bunda daquele jeito tão vulgar quanto sensual.
Virei-me para o balcão e dei o último gole em minha água. Quando com os olhos novamente busquei-a, ela estava andando na direção da igreja, a criança um pouco à frente e a outra mulher ao seu lado. Notei seus passos claudicantes; mancava bastante, o que dava a seu rebolado uma perversa conotação erótica.
Ainda surpreso com a deficiência física da moça, observei-a contornar o jardim da igreja e se afastar pela calçada, seu passo trôpego e lento, agora de costas para mim. Nem notei que havia sido flagrado pelo balconista, que saiu de trás do balcão e uniu-se a mim na atividade de observação e devaneio.
Sem despregar os olhos da moça, me disse o nome dela. Falou ainda que ela morava ali perto. Assim como que conta um segredo, murmurou: “aleijada de tão gostosa”. Balancei a cabeça em acordo, conferi o relógio e resolvi pedir uma cerveja, pois ainda haveria muito tempo até a hora do casório.
12/05/2008
Estéreo Cidade FM
Eu já falava com ele todas as noites, mas do começo do mês para cá eu tenho falado com ele todas as noites.
Qual o horário que ele faz?
Da meia-noite até as seis.
Por isso que você anda com essa cara de sono esses dias?
Ah!
E como ele é?
Eu ainda não sei. Já procurei a página da rádio na internet e nem tem foto dele.
Quantos anos ele tem?
Isso eu não sei. Só sei que ele é separado, tem um filho de doze anos.
Mas que tanto vocês falam?
Falamos de tudo, né? Só paramos de falar quando ele abre o microfone pra anunciar as músicas.
Deve ser daqueles programas de música lenta, né?
É, sim. essa rádio só toca música antiga. Amo de paixão música assim desse tipo! Eu tinha um dentista que deixava o rádio ligado com essas músicas, eu adorava ficar na sala de espera.
Você escolhe discos pra ele tocar?
Eu escolhia. Agora ficou mais legal: ele escolhe a música e depois que desliga o microfone, fala no telefone que a música é dedicada a mim.
Qual que você mais gosta?
Eu gosto de uma do Guéri Uaiti, acho que era de uma novela. Eu não sei o nome, não, mas ele sabe.
Será que ele é bonito?
Só amanhã eu vou saber. Eu acho que ele deve ser bonitão... E tem um vozeirão que me deixa arrepiada aqui na nuca, sabe?
Qual o horário que ele faz?
Da meia-noite até as seis.
Por isso que você anda com essa cara de sono esses dias?
Ah!
E como ele é?
Eu ainda não sei. Já procurei a página da rádio na internet e nem tem foto dele.
Quantos anos ele tem?
Isso eu não sei. Só sei que ele é separado, tem um filho de doze anos.
Mas que tanto vocês falam?
Falamos de tudo, né? Só paramos de falar quando ele abre o microfone pra anunciar as músicas.
Deve ser daqueles programas de música lenta, né?
É, sim. essa rádio só toca música antiga. Amo de paixão música assim desse tipo! Eu tinha um dentista que deixava o rádio ligado com essas músicas, eu adorava ficar na sala de espera.
Você escolhe discos pra ele tocar?
Eu escolhia. Agora ficou mais legal: ele escolhe a música e depois que desliga o microfone, fala no telefone que a música é dedicada a mim.
Qual que você mais gosta?
Eu gosto de uma do Guéri Uaiti, acho que era de uma novela. Eu não sei o nome, não, mas ele sabe.
Será que ele é bonito?
Só amanhã eu vou saber. Eu acho que ele deve ser bonitão... E tem um vozeirão que me deixa arrepiada aqui na nuca, sabe?
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